LiHS participa do IDAHO (Dia Internacional Contra a Homofobia)

Por que existe um
Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia
(IDAHO)?


Em quase 80 países do mundo, pessoas que amam pessoas do mesmo sexo ainda são consideradas como criminosas, inclusive sob o risco de prisão. Em nove países, pessoas homoafetivas ou transgênero podem até receber pena de morte.

Assim como as discriminações legais, a homofobia e a transfobia sociais negam o direito básico à dignidade a milhões de pessoas ao redor do globo diariamente.

O Dia Internacional Contra a Homofobia (IDAHO) foi criado em 2004 para chamar a atenção dos formadores de políticas, formadores de opinião, movimentos sociais, do público em geral e da mídia para esse tema.

Não se trata de uma campanha centralizada, mas de um momento em que todos podem realizar ações concretas de modo sincronizado.

17 de maio foi escolhido para comemorar a decisão da Organização Mundial de Saúde que, nesse mesmo dia no ano de 1990, retirou a homossexualidade da classificação de desordens mentais.

O Dia Internacional contra a Homofobia é celebrado agora em mais de 100 países, sendo o Brasil o campeão de ações esse ano. Fato reconhecido pelos próprios promotores internacionais do movimento.

Isso, porém, não se deve ao apoio direto de nossas autoridades, com algumas felizes exceções. Nossos governantes e legisladores ainda estão perdendo para outros chefes de Estado.

Enquanto isso, líderes políticos internacionais têm participado e até promovido ações para celebrar esse dia, como foi o caso da Rainha Máxima da Holanda, que participou da conferência de abertura do IDAHO ontem (16 de maio), e como é o caso das embaixadas da Holanda, da Suécia, da Bélgica e do Reino Unido, que hastearão a bandeira do arco-íris em frente às suas sedes em Brasília nesta sexta-feira, 17 de maio.

Além disso, o Parlamento Europeu e agências das Nações Unidas celebram o IDAHO com eventos especiais.

Hoje a revista online holandesa DNP (só para assinantes) publicou uma citação do presidente do Conselho LGBT da LiHS, em comemoração ao Dia Internacional de Combate à Homofobia: http://www.denieuwepers.com/nederland-steekt-braziliaanse-homos-en-lesbiennes-hart-onder-de-riem/

Eles perguntaram o que achava do hasteamento da bandeira do arco-íris em frente à Embaixada da Holanda em Brasília. A resposta foi:

“Essa iniciativa é maravilhosa. O Brasil precisa se espelhar em países pioneiros na igualdade de direitos da sexodiversidade. A Holanda tem sido um exemplo desde que aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nenhum país até então havia feito isso. Foi um marco histórico e o início de uma mudança de paradigma no direito. Fico feliz em saber que a nação holandesa não apenas inclui, mas celebra a sexodiversidade. Queremos ver o dia em nossa presidente e nossos congressistas trabalharão pela inclusão tanto quanto nosso Judiciário. Parabéns a Holanda pelo vanguardismo. Hoje mesmo colocarei esse post no blog Fora do Armário.”

O momento mais alto dessa semana em termos de representação da LiHS foi a participação de nossa vice-presidente Åsa Dahlström Heuser nos eventos que precederam a IV Marcha Nacional Contra a Homofobia em Brasília, assim como da própria marcha. Alinhada com as melhores práticas humanistas internacionais, a LiHS entende que os direitos LGBT são Direitos Humanos, e insta à sociedade e ao governo a defenderem ativamente a dignidade das pessoas homoafetivas e transgênero, especialmente diante do crescimento dos ataques homofóbicos nos últimos anos no Brasil.

Por Sergio Viula

Presidente do Conselho LGBT da LiHS

Com informações do IDAHO official site.

Criação de Núcleos Regionais

A Liga Humanista Secular do Brasil vem a público informar que, cientes e de acordo com o Estatuto da entidade (art. 13), os integrantes dos grupo de membros abaixo relacionados, através de seus representantes indicados, ingressaram com pedido de criação de Núcleos Regionais, submetendo seus nomes e propostas à Diretoria da LiHS, que os aprovou, e para oficializar, emitiu a presente nota. 
Aliança Estudantil Secularista Pará – Ábia Costa
Aliança Humanista Secular de Londrina-PR – Felipe Mendes Tacla
Campo Grande-MS – Arlon Cossetin Branco
Distrito Federal – Helder Duarte
Estado da Bahia – Diego Carmo Sousa
Estado de Minas Gerais – Fabíola Amaral Ladeira
Estado do Ceará – Francisco Wilton Lima Cavalcante
Interior do estado de São Paulo – Adelino De Santi Júnior
Joinville-SC – Rafael de Souza Gomes
Manaus-AM – Jacob da Silva Reis
Nova Friburgo-RJ – Maurício Sérgio de Oliveira
Rio de Janeiro-RJ – Thiago de Oliveira Macedo
Luciano Rossato Dias
Secretário Geral

Femen: Revelando o Sextremismo Ucraniano

Ativista do Femen protesta pela “Topless Jihad”

(Texto gentilmente cedido por Letícia Oliveira do FEMENPUTECIDXS)


Por
Letícia Oliveira

Em meados de março de 2013, a
ativista tunisiana do Femen Amina Tyler (nome fictício) ficou conhecida
mundialmente por escrever em seu peito nu as frases “Foda-se sua moral” e “Meu
corpo me pertence e não é motivo de honra para ninguém” e ter sido publicamente
sancionada por um religioso salafista que disse que ela merecia ser apedrejada
até a morte segundo as leis islâmicas. Após o ocorrido, sua família a
enclausurou em um lugar desconhecido pelas outras ativistas do grupo, o que as
fez chamar por uma campanha de libertação da tunisiana, que segundo o Femen,
corria risco de morte. Uma das ações pela libertação de Amina foi chamada de
“Dia do Topless Jihad”, onde as ativistas de várias partes do mundo foram a
embaixadas e mesquitas protestar contra a “islamização” e conclamar as mulheres
muçulmanas a se libertarem do véu.
O grupo sextremista ucraniano
foi muito criticado por sua postura neocolonialista e acusado de suprimir as
vozes nativas de mulheres não ocidentais. Ocorreu uma reação imediata de
mulheres muçulmanas dizendo que não precisavam ser salvas, o “Muslim Women Against Femen”, ao que
uma das líderes do Femen, Inna Shevchenko prontamente respondeu, dizendo “preferir falar com
mulheres, mesmo que atrás delas tivesse um homem com uma faca”.
A agressão e opressão
perpetradas a Amina Tyler por sua família dentro de sua casa são, infelizmente,
uma história comum dentre os relatos de violência contra mulheres no mundo
todo. Drogar, bater e manter mulheres em cárcere privado – homossexuais e
transexuais também costumam sofrer esse tipo de ataques – é uma das estratégias
mais violentas contra a liberdade das mulheres, e mesmo as pessoas que não
sofreram esse tipo de abuso tem alguma história parecida para relatar,
inclusive envolvendo intolerância religiosa. Mas o que o Femen fez foi usar o
caso Amina para justificar sua agenda islamofóbica e de viés colonialista e
imperialista.
O discurso de “libertar”
mulheres da opressão do véu é antigo e ainda é muito usado para justificar
guerras e invasões de cunho neocolonialistas. Livrar as mulheres da opressão do
Taliban foi uma das muitas justificativas dadas por George W. Bush para a
invasão do Afeganistão, uma guerra que vem sistematicamente matando mulheres e
crianças em nome de uma suposta liberdade.

Mulheres nigerianas protestam
contra ataque de gangues em suas comunidades

Segundo
Zeinab Khalil no artigo “Ponto de vista: a crítica ao Femen”,
durante o período em que a Argelia foi colônia da França, era muito comum que
mulheres francesas fizessem “cerimônias de desvelo” para as mulheres argelinas
sob gritos de “viva a Argelia francesa”. Na visão dos colonizadores, tirar o
véu era uma forma de “civilizar” e libertar os nativos do país.
Apesar de
o Femen acreditar ter patenteado o topless como forma de protesto, ele é
recorrente na história da luta pelos direitos das mulheres. Há relatos de protestos com uso de nudez em
vários países do continente africano durante todo o sec XX, por exemplo.
Femen e
Feminismo na Ucrânia
O Femen
surgiu na esteira da Revolução Laranja ucraniana. A princípio, era um grupo de
universitárias voltado especificamente para denunciar o impacto negativo que o
turismo sexual e a prostituição tem na Ucrânia e seus protestos eram
provocativos e teatrais, e a decisão de usar o topless foi bem posterior à
criação do grupo. Segundo a ativista Inna Shevchenko, o grupo
foi criado a partir do momento em que ela e algumas amigas viram que a
revolução havia falhado:

Nosso primeiro protesto em topless foi uma manifestação política. Nós
não imaginamos que continuaríamos fazendo topless após isso. Eu fui contra
fazer topless por muito tempo, não podia aceitar. Mas nós não aguentávamos mais
a situação. Então decidimos fazer algo realmente radical. Como não estávamos
preparadas para pegar em armas, dissemos a nós mesmas: Ok, nossas armas são
estas. Elas estão sempre conosco. Nós transformaremos isto (seios) em armas e
os assustaremos. No dia seguinte nos demos conta de que pela primeira vez na
história da Ucrânia independente feministas haviam protestado! Nós conseguimos
a atenção das pessoas ao redor do globo. Nós percebemos que sim, poderia
funcionar.

De acordo
com a Wikipedia, o primeiro protesto topless do Femen ocorreu em agosto de 2009.
Segundo o artigo “Feminismo na Ucrânia Contemporânea: da alergia à ultima
esperança
” da historiadora e especialista em estudos feministas, gênero, história
oral e antropologia feminina do Instituto de Etnologia de Lviv, Oksana Kis, no
8 de março do mesmo ano havia ocorrido o primeiro grande protesto organizado
por grupos de lutas pelos direitos das mulheres em comemoração ao dia
internacional das mulheres nas maiores cidades ucranianas.
O fato de o grupo atestar que
é pioneiro em feminismo e protestos é só uma das muitas declarações
problemáticas que o Femen deu em relação ao feminismo ucraniano. Para Kis, a
retomada tanto do feminismo acadêmico quanto do ativismo feminista ucraniano se
deu no começo dos anos 90, após a independência do país. Ela relata que à época
as organizações feministas ucranianas decidiram seguir o caminho da cooperação
situacional em lugar do confronto com as autoridades por se tratar de um
movimento relativamente novo e ainda enfraquecido.
Segundo
estatísticas publicadas em artigo do Le Monde, as ucranianas recebem um
salário até 70% menor que os homens do país, e cerca de 73% da população
acredita que o homem deve ser o mantenedor do lar. Para a socióloga
especialista em estudos de gênero da Universidade Nacional de Kiev-Mohyla,
Tamara Martesnyuk, o maior êxito do Femen é a visibilidade. Para ela, os
métodos do grupo são inéditos em um país onde a imobilidade é histórica. Mas
ela vê problemas na falta de foco do grupo: “Ao se manifestarem contra tudo e
sem se importar contra o quê, as ativistas do Femen se apoderam de discursos
que não estão diretamente relacionados aos direitos das mulheres. Suas
denuncias a respeito da prostituição e da discriminação de gênero acabam se
perdendo dentro desta agitação desordenada. Fica difícil, neste caso,
distinguir a mensagem e o propósito real”.

A professora do departamento
de historia e teoria da sociologia da Universidad Nacional de Lviv, Tetyana
Bureychak, chama a atenção para o fato de que, apesar do choque inicial com o
topless, as pessoas não se atêm à mensagem do grupo, que não logrou nenhuma
mudança de fato no país. e assim a sociedade ucraniana permanece não se
importando com questões de gênero
Faz se
notar também o fato de que muitos grupos e feministas ucranianas alegam afalta de abertura do Femen ao diálogo com outros coletivos
e ONGs de luta pelos direitos das mulheres
, apesar de várias tentativas.
Uma alegação também feita por grupos e feministas brasileiras desde a chegada
do movimento por aqui. Além disso, as declarações do Femen a respeito da
ideologia do grupo são bastante confusas. Muitas vezes a organização tentou se
distanciar do feminismo, como atestou Anna Hutsol quando perguntada em 2011 se
Femen era um grupo feminista:

Não. Nós usamos o erotismo em nossas abordagens e na forma como nos
vestimos. Isso não é permitido pelo feminismo.

O novo
feminismo (traduzido equivocadamente como neofeminismo pela representante
brasileira da organização) seria uma “nova onda do feminismo” criada pelo
grupo, que seria nada mais que “juntar o movimento pelos direitos das
mulheres à uma visão pós moderna da mídia, política e a manipulação do público
masculino
”.
São
também conhecidas as declarações que o grupo dá sobre o feminismo “clássico”. Segundo Inna Shevchenko, “O
feminismo clássico já morreu, não funciona mais. Ele só existe nos velhos
livros e as vezes nas salas de conferências”.
Racismo e xenophobia

“Hitler is alive”, protesto
contra a indústria do sexo em Hamburgo, Alemanha jun/2012

A
xenofobia da europa ocidental contra o leste europeu não se justifica em “graus
de brancura” como disse Agata Pyzik no artigo “Branco nem sempre significa
privilégio
“, mas sim por uma crise econômica que
elevou o grau de xenofobia em toda a europa, especialmente contra ciganos e
muçulmanos de qualquer etnia. Sabe-se que este preconceito em relação aos
países do leste sempre existiu na europa e foi inclusive trazido para o Brasil
com os movimentos migratórios europeus – “polaca”, por exemplo, foi sinônimo de
prostituta por muito tempo no Brasil, e o tanto “polaco” quanto “polaca” ainda
são considerados termos pejorativos para poloneses e descendentes aqui no país.
Reconhecer que há privilégios em ser branco não quer dizer que não haja
preconceito xenófobo e étnico contra as populações brancas do leste europeu,
mas dizer que isso se deve a um certo grau de diferenciação na “brancura” é uma
falsa simetria.
Também não é o caso de
minimizar a opressão sofrida pelas mulheres no contexto pós soviético, mas
relatando uma crítica feita ao movimento assim que ele chegou ao Brasil, se é
verdade que mulheres sofrem opressão diariamente no mundo todo, a realidade
brasileira é diferente da realidade ucraniana, e não existe uma preocupação do
movimento em adaptar seu discurso às realidades locais, deixando de apoiar
lutas históricas dos movimentos feministas locais para se focar somente na
agenda do grupo.
Não podemos fechar os olhos
para a xenofobia e o racismo que tem se mostrado frequente nos países do antigo
bloco soviético, em especial Rússia e Ucrânia. E é neste contexto que o Femen
usa de sua suposta luta pelos direitos das mulheres como desculpa para
manifestações de ódio. Os exemplos variam desde citações como a dada pela líder e fundadora Anna Hutsol “Como
sociedade, não fomos capazes de mudar nossa mentalidade árabe em relação às
mulheres”, quanto manifestações abertas de antisemitismo, xenofobia, racismo e
até flertes com o neonazismo – além da islamofobia tão propagada pelo movimento
nos últimos tempos.
O
movimento sempre teve uma conotação claramente nacionalista. O primeiro manifesto do Femen dizia,
entre outras coisas, que o objetivo do grupo era “construir uma imagem nacional
de feminilidade, maternidade e beleza baseadas na experiência dos movimentos
das mulheres euro atlânticas”. Ela está aparente na escolha da coroa de flores,
ou vinok, símbolo da pureza das virgens, e no uso das cores da bandeira
Ucraniana, além do discurso de “desenvolver as qualidades morais, intelectuais
e lideranças das mulheres ucranianas”, e do claro conteúdo xenófobo de algumas
de suas manifestações.
Se na
França o Femen atraiu prioritariamente uma parte da esquerda que é
declaradamente islamofóbica, na Alemanha o influxo de mulheres conservadoras ao
movimento se traduz na adesão de membros do partido CDU e da
União Jovem Conservadora do país
, que reúne os partidos
conservadores católicos da Alemanha e tem uma agenda que advoga contra os
direitos reprodutivos das mulheres.
Em uma de
suas primeiras grandes manifestações na Alemanha, ocorrida no dia 25 de janeiro
de 2013 na Rua Herbert, conhecido ponto de prostituição de Hamburgo, o grupo
fez uso de simbolismo nazista para protestar contra a indústria pornográfica
dizendo serem a prostituição e a indústria do sexo análogas.Para isso, usaram
como mote o conhecido slogan “Arbeit macht frei” (o
trabalho liberta), muito usado nas entradas dos campos de concentração na
Alemanha nazista, e trocaram a letra “x” na palavra “sex” (em sex industry is fascism) por uma
suástica.
Em carta aberta ao Femen Germany, o grupo
libertário feminista alemão e*vibes lembrou  que não só o protesto teve
lugar em uma data muito próxima ao dia internacional de lembrança do
holocausto, além de lembrar-lhes que o uso de símbolos e slogans nazistas fora
de um contexto histórico são considerados como discurso de ódio na Alemanha, e
portanto ilegais. Também em uma carta de resignação, a ex ativista do Femen
Germany, Freya Victoria, lembrou que as prostitutas foram perseguidas pelo
governo nazista por serem consideradas indivíduos “anti sociais” assim como
judeus, homossexuais, ciganos e todos os que foram perseguidos pelo nacional
socialismo.
Outras
ligações conhecidas do Femen com pessoas e movimentos de cunho nacionalista e de
extrema direita já foram relatadas. No Brasil, a líder Sara Winter foi
e ainda é denunciada por manter ligações com a extrema direita nacionalista, e
na Inglaterra, descobriu-se recentemente que o responsável pela manutenção da
página do Facebook do Femen UK seria um homem que se apresenta como David Jones
e é membro da English Defence League, uma
associação de extrema direita que usa de violência contra
imigrantes,especialmente contra muçulmanos, na Inglaterra.
Mas as
manifestações de ódio mais contundentes foram produzidas pelo próprio Femen UA
(ou International). Segundo o site indymedia.de, em
setembro de 2009 o Femen mandou uma carta ao Serviço de Inteligência da Ucrânia
(SUB) pedindo para que medidas fossem tomadas contra a peregrinação anual dos
judeus hassídicos albaneses à cidade ucraniana de Uman durante a páscoa
judaica. A carta dizia que “a afluência de representantes do judaísmo ortodoxo
que possuem padrões culturais e comportamentais específicos trazem alguns
perigos…” “os peregrinos demonstram total desrespeito às tradições locais”,
“qualquer tentativa de ataque à nossa cultura deve ser suprimida” e o que seria
a verdadeira razão do pedido “as evidências frequentes de assédio, coerção e
até mesmo estupro de ucranianas pelos judeus hassídicos não são levadas a
público e esmiuçadas em prol de uma pseudo tolerância religiosa”.
Ainda
segundo o mesmo artigo, em 25 de agosto de 2010 o Femen mandou uma carta para a
prefeitura da cidade ucraniana de Lviv
, às vésperas da partida pela
Europa League onde o time local Karpaty-Lviv enfrentaria o time turco
Galatasaray. A carta conclamava a prefeitura a banir os fãs do time turco da
cidade e incentivando os torcedores do Karpaty “a apoiar nosa iniciativa e não
deixar os ‘machos turcos’ bancarem os chefes pela capital cultural da Ucrânia.”
A torcida do Karpaty-Lviv é conhecida por suas expressões de racismo e fascismo
dentro e fora de campo, e o time foi condenado pela UEFA a pagar uma multa de
25 mil euros por manifestações de cunho nazista durante esta mesma partida contra
o Galatasaray.
De onde
vem o dinheiro do Femen?

O
financiamento do Femen é algo que levanta muitas questões desde sempre, como
pode ser visto inclusive no antigo site do grupo. O que
se sabe ao certo é que no ano de 2010 as ativistas declararam em entrevista ter
um aporte mensal entre 600 e 700 euros, todos provindos de doação. O milionário
estadunidense Jed Sunden, que à época era dono do conglomerado KP Media, editor
do Kyiv Post, maior jornal de língua inglesa da Ucrânia (no qual Anna Hutsol
era colaboradora) contribuía com 200 euros, e o milionário alemão Helmut Geier,
mais conhecido como DJ Hell, contribuía com 400 euros. O resto do montante
provinha das doações feitas ao grupo por apoiadores anônimos.

Não é segredo para ninguém que
Jed Sunden realmente financiou o Femen por muitos anos. Ele próprio admitiu
algumas vezes apesar de não dizer o valor de tal contribuição.
Mas em recente comunicado ao site de centro
direita italiano Il Foglio
, assinado por sua assistente Valeriya
Kirchanova, Jed Sunden disse que não financia mais o Femen desde 2011. Disse
ainda que as financiou desde o começo por acreditar na luta contra o turismo sexual,
mas que a partir do momento que elas estenderam seu campo de ação e passaram a
criticar religiões, política e a Eurocopa de 2012 elas perderam o foco. O
comunicado foi enviado em resposta a uma matéria do diário, que reproduziu uma
notícia de 2012 que diz que uma jornalista do canal ucraniano 1 + 1 se
infiltrou no Femen e denunciou que o grupo tinha um orçamento mensal de 2500
euros, sendo Jed Sunden um de seus maiores financiadores, de acordo com a
matéria original do canal ucraniano.
Segundo
as ativistas, suas únicas fontes de renda são os produtos vendidos em sua loja
virtual e as doações feitas às suas contas. Os produtos são caros: para ter uma
impressão dos seios de uma ativista (boobprint) o incauto apoiador terá que
desembolsar 70 euros. Também é comum venderem camisetas feitas à mão por
ativistas, ou previamente usadas por alguma delas, por 100 euros.
No
Brasil, a representante do grupo, Sara Winter, receberia um salário de 400 dólares da matriz, segundo
matéria da ESPN Brasil. Apesar de ter negado primeiro, Sara confirmou ter
recebido o tal salário, mas “apenas algumas vezes” e de acordo com a própria, o
Femen internacional não manda mais dinheiro para a
franquia brasileira
.
Além
disso, há as acusações de venda de protestos. Uma
delas foi provada real e aconteceu no dia 8 de março de 2012 na Turquia, quando
o grupo viajou ao país patrocinado pela marca de lingerie Suwen International.
De acordo com a mídia local turca, o Femen assinou um contrato com a
empresa para divulgar a companhia
. Para a fundadora do
coletivo, Anna Hutsol, “a marca procura oferecer lingerie saudável para as
mulheres, e é por isso que o Femen visitará a loja da Suwen Internacional, já
que considera a marca uma aliada.” Além disso, a Suwen também desenvolveu umalinha de lingeries com o nome “Femen”. O
protesto, que se deu em frente à catedral Hagia Sophia, onde as participantes
usaram produtos da marca e fizeram uma sessão de fotos prévia divulgando o nome
da Suwen, resultou na deportação das ucranianas.
Dadas as declarações prévias
de algumas integrantes do grupo, o que se vê é que o Femen não tem medo de usar
a exposição de suas ativistas em meios de comunicação como forma de angariar
fundos. No artigo “Two Bad Words: Femen & Feminism in Ukraine” da Jessica
Zychowicz, vemos a seguinte citação atribuida à Anna Hutsol [1]:

Eu acho que se você pode vender biscoitos desta forma (através do apelo
às massas) por que não usar dos mesmos métodos para chamar a atenção para
problemas sociais?

Em entrevista à revista
austríaca Falter, Inna e Sasha Shevchenko responderam que não viam nenhum
problema em posar nuas para a Playboy. Nas palavras de Inna: “Mulheres nuas já
estampam a capa da Playboy. Se nossos protestos chegassem às capas seria um
grande sucesso, pois significaria que os homens aceitam a luta feminina”.

A
exposição do corpo como “arma de guerra”
Uma das várias críticas feitas
ao Femen é que todas as suas ativistas de topless não fogem de um padrão de
beleza eurocêntrica. São todas mulheres jovens, magras, brancas e loiras, de
preferência. Quando questionadas a respeito do porque seguir esse padrão
excludente, as líderes do movimento dão respostas no mínimo curiosas.
Na página
do facebook do Femen France, vemos uma foto de duas ativistas que,
segundo o Femen, estariam fora do padrão e seriam uma resposta às cobranças.
Segundo a página, as garotas que mais aparecem nas fotos são aquelas que estão
mais envolvidas com o movimento. E se as ativistas são geralmente magras é
“porque em uma sociedade tão hostil aos corpos femininos, garotas devem estar
preparadas para enfrentar comentários, insultos e violências física e moral”.

Em entrevista a Jessica
Zychowitz, Anna Hutsol disse em relação ao fato de não haver mulheres mais
velhas no Femen [2]:

Mulheres fortes não podem ser tímidas na Ucrânia. Considere o fato de
que um corpo velho não é tão bonito quanto era aos 16; bem, também há os
vizinhos, parentes, etc que acham que mulheres mais velhas não podem sair
gritando em protestos ou envolver seus netos. E é mais difícil enfrentar o
preconceito quando se é mais velha do que quando você tem 20, 22, 25 ou 26,
porque quando se é mais nova você não tem nada a perder.


A ativista bielorrusa
Alexandra Nemchilova: piada
Usada
como exemplo de ativista gorda quando indagadas sobre o porque de não aceitarem
mulheres fora do peso considerado padrão, a bielorussa Alexandra Nemchilova
servia de escada cômica nos protestos do Femen internacional. Vestida de “sex
bomb”, com a cabeça raspada e de bigodes falsos para
personificar ditadores ou até mesmo colocada em um chiqueiro para
protestar contra a Eurocopa em 2012, a falta de respeito e a chacota eram
latentes.
Também se
nota a falta de ativistas negras e orientais no grupo, e mesmo no Brasil a
tendência a buscar ativistas que se enquadrem ao padrão eurocêntrico de beleza
foi notada e bastante discutida. E apesar de o grupo hoje negar, existe sim um processo seletivo para
entrar no Femen. Usar somente corpos jovens e que seguem os padrões impostos de
beleza é uma forma de ter a atenção irrestrita da mídia, que o Femen vê como
aliada. Mas ao atender as demandas daqueles que elas consideram como aliados,
acabam excluindo aquelas que realmente seriam as verdadeiras beneficiárias de
seu suposto ativismo: as mulheres.
1 Zychowicz, Jessica. 2011. Two Bad Words: Femen & Feminism
in Ukraine, pag 221
2 Zychowicz, Jessica. 2011. Two Bad Words: Femen &
Feminism in Ukraine, pag 219
Agradeço
a Anna Rocha pela ajuda nas pesquisas e na revisão e Jose Antonio Pano pela
ajuda nas traduções

O que é Femen?

O envolvimento da líder do Femen Brasil com grupos e ideologias neonazistas, fascistas e integralistas vem sendo alvo de críticas há mais de um ano. Em seguida, polêmicas surgiram com relação na França, Rússia, Ucrânia, Alemanha e Turquia, onde alegam que o grupo faz protestos racistas, islamofóbicos, xenófobos e ocasionalmente faz protestos patrocinados por empresas privadas. 
Feministas de todo o mundo questionam o método de seleção excludente do grupo, que seleciona através de fotos e parece preferir ativistas jovens e magras, com padrões semelhantes aos de modelos. Algumas pessoas acusam o grupo de ter colocado a vida de candidatas muçulmanas em perigo, já que as obrigam a tirar uma foto sem roupa e postar nas redes sociais, independentemente dos riscos envolvidos em sua localidade. Outras polêmicas envolvem o financiamento do grupo, supostamente por alguns milionários desconhecidos, a derrubada de uma cruz que homenageava vítimas ucranianas do regime soviético. Na última semana, uma outra polêmica envolvendo o grupo veio à tona: a página britânica do Femen é administrada por um homem que assumidamente faz parte da EDL (English Defence League), grupo radical considerado islamofóbico, racista e xenofóbico, que protesta contra imigração, integração de pessoas de origem islâmica e se posiciona a favor de guerras contra países islâmicos. O indivíduo também assume suas ligações com outros grupos e partidos de ideologias separatistas e fascistas.

Na imagem acima, texto à esquerda, David Jones (que usa o símbolo da EDL como seu avatar) diz:
“Curtam e compartilhem nossa página para que tenhamos mais apoio”

No texto à direita, David Jones diz:
“Parece que o nosso próprio povo está contra nós agora. Acabei de ser banido de uma encenação anglo-saxônica por causa da minha afiliação na EDL. Eles alegam que sou um nazista e um extremista só por gostar da EDL”

Abaixo, ele diz:
“A English Defence League é um movimento de protesto do Reino Unido, que protesta contra o extremismo islâmico”

Mais abaixo, diz:
“Devo lembrá-los que os nazistas eram socialistas (de esquerda) (sic) e que a EDL apoia os judeus. Essas pessoas são apenas idiotas que e estão cegas para a ameaça que o Islã representa ao mundo ocidental”.

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