Primeiro casamento homoafetivo realizado em Palmeira dos Índios – Alagoas.

Juiz Geneir Marques

Foi realizado nesta quarta-feira (14/05) o primeiro casamento homoafetivo na cidade de Palmeira dos Índios, Alagoas.

A cerimônia coletiva contou com a participação de mais 14 casais e foi realizada pelo Juiz titular da Comarca de Palmeira dos Índios, Geneir Marques, que enfatizou sobre o dever do Estado de garantir os direitos de todos de forma isonômica e a proteção da entidade familiar.

Entendo que se as pessoas heterossexuais possuem o direito de buscar a felicidade e se realizarem com parceiros também heterossexuais, seria um contrassenso obstar tal direito às pessoas homossexuais que também precisam alcançar a felicidade homossexualmente, dentro da liberdade que é assegurada, a qual não pode sofrer limitações unicamente em razão da preferência sexual” salientou o magistrado.

Isso é um passo importante para a sociedade civil palmeirense e brasileira que aos poucos tende a se livrar de um preconceito vil e sem fundamentos lógicos.

Fonte: http://www.todosegundo.com.br/home/noticias.php?pg=noticia&id=2654

Mulher filma o próprio aborto para questionar mitos sobre a prática

Reportagem: Época

Emily Letts descobriu que estava grávida em novembro passado. Aos 25
anos, tendo começado há pouco uma nova carreira, não queria ter filhos.
“Eu sabia que não estava pronta para cuidar de uma criança”, escreveu
ela. Decidiu abortar. Letts vive em Cherry Hill, no estado americano da
Nova Jersey. Lá, clínicas de aborto são legais, têm autorização do
governo para funcionar.
Desde o ano anterior, inclusive, Letts trabalha em uma dessas clínicas,
onde decidiu levar o procedimento adiante. Filmou a operação. 

Emily Letts descobriu que estava grávida em novembro passado. Aos 25
anos, tendo começado há pouco uma nova carreira, não queria ter filhos.
“Eu sabia que não estava pronta para cuidar de uma criança”, escreveu
ela. Decidiu abortar. Letts vive em Cherry Hill, no estado americano da
Nova Jersey. Lá, clínicas de aborto são legais, têm autorização do
governo para funcionar.


O vídeo foi assistido mais de 400 mil vezes. É delicado – filma Letts
da cintura para cima. Médicos e aparelhos mal aparecem. Sua intenção,
com isso, era informar, mostrando que um aborto cirúrgico não é,
necessariamente, assustador. Em um ensaio para a revista Cosmopolitan,
Letts escreveu : “Nós falamos muito sobre aborto mas, mesmo assim,
ninguém sabe realmente como um aborto é. Um aborto em uma gestação ainda
no primeiro trimestre leva de três a cinco minutos. Mesmo assim,
mulheres vêm à clínica aterrorizadas, achando que serão cortadas,
convencidas de que não serão capazes de ter filhos depois disso. A
quantidade de informações erradas é incrível mas, pensem: mesmo assim,
essas mulheres ainda estão dispostas a enfrentar esses medos porque
sabem que não podem criar uma criança naquele momento”.

No mesmo texto, Letts explica que nunca foi uma ativista em favor do
aborto. Pelo contrário – de início, ela queria ajudar mulheres a ter
filhos. Uma de suas amigas é uma doula e lhe inspirou esse desejo.
Enquanto pesquisava, Letts descobriu que existem três tipos de doulas:
aquelas que ajudam durante o parto; as que auxiliam na adoção e aquelas
que auxiliam em casos de aborto. Foi quando teve um estalo. Por anos,
Letts trabalhara como atriz profissional. Sentia-se mal com o próprio
corpo, tendo de competir com outras mulheres. De repente, percebeu que
poderia ajudar mulheres a se sentir bem com elas mesmas, com suas
decisões e com seus corpos, logo depois de elas terem passado por uma
experiência potencialmente traumática. Letts iria ajudá-las a abortar.

Letts enfatiza que o aborto, desde que existam as devidas condições
médicas e legais, é uma decisão pessoal. Esta é a história dela – uma
mulher que decidiu não estar pronta para ser mãe e que, com poucas
semanas de gestação, preferiu abortar. “Não vou fingir que isso é mais
ou menos do que uma decisão pessoal. Não posso falar por ninguém em um
caso tão pessoal”.

Segundo ela, o aborto não precisa ser uma experiência traumatizante para todas as pessoas, nem é em todos os momentos. Uma pesquisa realizada pela Universidade da California,
em 2013, com mulheres americanas, concluiu que 90% delas se sentia
aliviada – e não culpada – depois de realizar o procedimento. Além
disso, apesar do temor, abortos legalizados são mais seguros do que dar à
luz: de acordo com uma pesquisa de 2012, da Universidade Columbia,
as chances de a mulher morrer após o parto são 14 vezes maiores do que
de morrer depois de um aborto. Mas Letts sabe que a experiência pode ser
terrível para muitas: “Eu sei que muitas delas sentem remorsos. Eu já
vi as lágrimas”. Não foi o caso dela. Letts saiu da clínica aliviada –
como os 90% das mulheres de que a pesquisa falava. Sentiu-se assim
porque, para ela, aquela decisão, tão pessoal, era a mais adequada. Com o
vídeo, Letts apenas quer que as pessoas reflitam e permitam que as
mulheres, livres do terror e do preconceito, sintam-se livres para tomar
suas próprias decisões.  Seja essa decisão abortar ou dar à luz.
RC

O que acontece com a vida das mulheres que tiveram um aborto negado?

** Texto retirado do blog Amazonas e Icamiabas

Aborto é um procedimento médico
amplamente discutido e pouco estudado. Existem alguns estudos de
validade duvidosa que conectam aborto a doenças mentais e uso de drogas.
Os políticos têm usado esses estudos para justificar maiores limitações
para mulheres que pensam em fazer aborto nos Estados Unidos e no Brasil
a questão também é polêmica. Não havia esforço algum para estudar o que
acontece com as mulheres que querem abortar, mas não podem devido às
regras restritivas. Pelo menos até agora. Um novo estudo longitudinal
revela o que acontece com a sua posição econômica, saúde e
relacionamento depois de tentar fazer um aborto e ele ser negado.

Pesquisadores de saúde pública junto com o grupo Advancing New Standards in Public Health (ANSIRH) da
Universidade de São Francisco usaram dados de 956 mulheres que
procuraram uma das 30 clínicas de aborto dos Estados Unidos que fizeram
parte do estudo. 182 dessas mulheres tiveram o aborto negado.
Os pesquisadores, liderados por Diana
Foster Greene, procuraram essas mulheres e fizeram intensas entrevistas
com elas. Algumas conseguiram abortar com facilidade, algumas precisaram
lutar para consegui-los, e outras tiveram o aborto negado porque a
gestação havia passado alguns dias além do limite aceito pelas clínicas
locais. Há duas semanas o grupo de pesquisa apresentou o que elas
aprenderam, depois de quatro dos cinco anos planejados para o seu
estudo, na conferência da Associação de Saúde Pública Americana em São
Francisco.
Eis aqui um resumo do que eles descobriram, retirado de um post que eles fizeram na página do Facebook da pesquisa:

Nós descobrimos que não há
consequências na saúde mental de uma mulher que fez o aborto comparadas
àquelas que mantiveram uma gravidez indesejada até o fim. Existem outras
descobertas interessantes: mesmo um aborto tardio é mais seguro do que
dar à luz. Além disso, mulheres que aguentaram até o fim da gravidez
indesejada são três vezes mais propensas a estarem abaixo da linha da
pobreza dois anos depois, quando comparadas as que fizeram um aborto.

Abaixo, você encontrará a versão mais
longa e complexa da história. Eu conversei com Greene sobre as
descobertas preliminares do grupo.

Pobreza

As mulheres no estudo estavam em
posições econômicas comparáveis entre si no momento que procuraram as
clínicas de aborto. No grupo que teve o aborto negado, 45% estavam
recebendo ajuda do governo e dois terços tinham renda inferior à linha
de pobreza dos Estados Unidos. Um dos maiores motivos que as mulheres
citam para fazer aborto é a falta de dinheiro e, baseado na renda das
que foram rejeitadas, parece que elas estão certas.
Entre a maioria das mulheres que tiveram
abortos rejeitados, 86% estavam vivendo com seus bebês um ano depois.
Apenas 11% tinham colocado os bebês para adoção. Também um ano depois,
elas estavam muito mais propensas a depender de ajuda do governo – 76%
das que tiveram o aborto rejeitado estavam recebendo uma espécie de
seguro desemprego, enquanto só 44% das que conseguiram abortar estavam
na mesma situação. 67% do grupo das que tiveram o aborto negado estavam
abaixo da linha da pobreza (contra 56% das mulheres que fizeram abortos)
e apenas 48% tinham um emprego de período integral (contra 58% das
mulheres que fizeram abortos).
Quando uma mulher não pode receber o
aborto que deseja, ela tem maior probabilidade de acabar desempregada,
dependendo de ajuda do governo e abaixo da linha da pobreza. Outra
conclusão que podemos chegar é que negar aborto às mulheres coloca um
fardo maior para o estado porque estas novas mães aumentam a dependência
em programas de assistência pública.

Violência e uso de drogas

No estudo, os pesquisadores não
encontraram diferenças estatisticamente significativas no uso de drogas
comparando as mulheres que fizeram o aborto e as que não fizeram.
Aparentemente não há uma correlação entre aborto e o aumento no uso de
drogas. Um dado interessante que elas encontraram foi o que mostrou que
usuárias de drogas que não conseguiram fazer abortos eram mais propensas
a doar seus filhos para adoção.
Infelizmente, quando se trata de
violência doméstica, ter um aborto negado faz uma grande diferença.
Mulheres que tiveram o aborto negado eram mais propensas a ficar em um
relacionamento com um parceiro abusivo do que mulheres que fizeram
abortos. Um ano depois de ter o aborto negado, 7% relataram um caso de
violência doméstica nos últimos seis meses. 3% das mulheres que
abortaram relataram violência doméstica no mesmo período. Green
enfatizou que o motivo das mulheres se envolverem em relacionamentos
abusivos não era ter o aborto rejeitado. O aborto simplesmente
permitiria que as mulheres saíssem desse tipo de relacionamento com mais
facilidade. Então é provável que esses números realmente reflitam uma
queda na violência doméstica para mulheres que abortam, no lugar de um
aumento entre as que não conseguiram abortar.
Este padrão de violência também é parte
de um padrão de comportamento mais amplo, que mostra que mulheres que
têm abortos negados são mais propensas a permanecer em um relacionamento
com os pais de seus filhos. Obviamente, isso não é sempre algo bom,
como as estatísticas de violência mostram. Mas mesmo na vasta maioria
dos casos onde não há violência envolvida, Greene notou que estes homens
não estavam morando com as mães de seus filhos.
Os pesquisadores perguntaram às mulheres
sobre morar com seus parceiros e descobriram que os homens não estariam
mais propensos a morar com uma mulher que deu a luz à seu filho, do que
eles estariam a morar com uma mulher que fez um aborto. “O cara não
continua por perto só porque você teve o bebê – essa é a maneira mais
simples de dizer isso,” Green disse.

Emoções

Uma das maiores preocupações sobre o
aborto é que ele causaria problemas emocionais que levariam à depressão
clínica. O estudo abordou a questão sob dois pontos de vista: como as
mulheres que fizeram abortos e as que não fizeram se sentiam; e se elas
desenvolveram depressão clínica. “É importante lembrar que como você se
sente é uma questão separada da questão ‘você tem ou não um problema de
saúde mental’”, Greene disse. Nós iremos entrar na questão das emoções
aqui, e discutir a saúde mental na próxima seção.
Os pesquisadores disseram no encontro da
Associação de Saúde Pública Americana que “uma semana depois do aborto,
97% das mulheres que conseguiram abortar sentiram que o aborto foi a
decisão certa; 65% das que tiveram o aborto recusado ainda desejavam ter
conseguido abortar”. Também uma semana depois do aborto negado, estas
mulheres tinham maior sensação de ansiedade do que as mulheres que
tinham abortado. As mulheres que fizeram abortos, em sua maioria (90%),
disseram se sentir aliviadas, apesar de algumas também se sentirem
tristes e culpadas depois. Todavia, esses sentimentos naturalmente
desapareceram em ambos os grupos. Um ano depois, não havia diferença na
ansiedade ou depressão entre os grupos.
Em outras palavras, o estudo não
encontrou indícios que havia emoções negativas prejudiciais e duradouras
associadas em fazer um aborto. A única diferença emocional entre os
dois grupos um ano depois foi que as mulheres que tiveram o aborto
negado estavam mais estressadas. Elas estavam mais propensas a dizer que
sentiam como se tivessem mais coisas para fazer do que realmente
conseguiam.
Nada disso resultava em depressão
clínica. “Aborto e depressão não parecem diretamente ligados”, disse
Greene. “Apesar disso, nós iremos continuar a acompanhar essas mulheres
por cinco anos. Então podemos encontrar algo mais para frente”.

Saúde física e mental

O estudo examinou a questão da saúde
mental das mulheres a partir de vários pontos de vista e não encontrou
evidências de que o aborto poderia ser ligado ao aumento de distúrbios
mentais. Eles descobriram que o grupo de mulheres que teve o aborto
negado tinha mais riscos de saúde ao dar à luz. Mesmo abortos em
estágios avançados da gravidez eram mais seguros que dar à luz. Os
pesquisadores disseram no encontro da APHA:


Nós descobrimos que
complicações na saúde física são mais comuns e graves depois do parto
(38% passaram por limitações nas atividades, por 10 dias em média)
comparadas com o aborto (24% tiveram limitações nas atividades, por 2.7
dias em média). Não houve nenhuma complicação grave após o aborto; já as
complicações pós-parto incluíram convulsões, fratura na pélvis,
infecção e hemorragia. Nós não encontramos diferenças  em condições
crônicas de saúde depois de uma semana ou um ano depois do aborto.

Se você olhar para todos esses dados
juntos, surge uma nova visão do aborto e como os governos querem lidar
com isso. Para economizar dinheiro em projetos de assistência pública,
deve-se facilitar o acesso ao aborto. Além disso, existem evidências
fortes de que facilitar o aborto irá permitir que as mulheres fiquem
mais saudáveis e com situação financeira melhor. Ao negar aborto às
mulheres, nós arriscamos manter tanto as mulheres quanto seus filhos em
situação de pobreza – e, possivelmente, no caminho da violência
doméstica.

Leia mais sobre esses estudos no resumo da American Public Health Association aqui e aqui.
Este estudo foi custeado totalmente
através de doações. Se você quiser apoiar mais pesquisas sobre a vida de
mulheres que tiveram o aborto negado ao redor do mundo, por favor
considere doar para o Global Turnaway Study no Indie GoGo.

In http://jezebel.uol.com.br/o-que-acontece-com-a-vida-das-mulheres-que-tiveram-um-aborto-negado/